Conheça algumas orientações para um orçamento de obra preciso
Como chegar a precisão em um orçamento de obra quando vivemos em um país em que os preços aumentam a cada semana ou a cada quinze dias, por exemplo? Como chegar a precisão em um orçamento de obra quando temos leis que mudam constantemente? Por isso devemos estar muito atentos!
Todo orçamentista precisa entender de obra. Esse é o primeiro passo para um orçamento preciso, porque se o profissional não entende de obra, ele não entende dos percalços ou ele crê que uma especificação técnica ou um projeto pode trazer a ele toda a realidade de uma obra, o que não é verdade.
Sendo assim, precisamos entender de arquitetura, entender de obra, entender de materiais e revestimentos, ler as pranchas com atenção, ver os detalhes, cruzar informações, pois muitas vezes os projetos não se comunicam bem.
Precisamos entender sob qual ponto de vista vamos elaborar o orçamento do empreendimento, já que as abordagens e limitações influenciam muito as ferramentas e processos que serão usados:

Por exemplo, o contratante é público ou é privado? Se for público, você precisará trabalhar com sistemas de custo como Sinapi, Sicro, e etc. Temos também questões da reoneração. O trabalho enquanto orçamentista no setor público é o orçamento desonerado, então temos a CPRB (Contribuição Previdenciária sobre Receita Bruta). Dessa forma estamos presos a um sistema de custo, que é difícil de orçar.
Maria Izabel Ribeiro, professora do Curso de Orçamento de Obras, do Instituto Bramante destaca: “Quando eu trabalho no privado, eu tenho mais liberdade, eu posso usar o Informativo SBC, além de uma série de bancos de dados, sendo que na realidade no privado o banco de dados é referencial. No público também, só que no público você usa o Sinapi, e o preço do Sinapi é o preço que às vezes temos que pensar. Então, por exemplo, quando eu trabalho com Sinapi para órgãos públicos, eu vejo o preço, eu abro a composição e vejo o preço que é dado nos insumos de material e de mão de obra e se foi o preço que eu coloquei. Se ele não é compatível com o preço do Sinapi, eu posso mudar, mas não devo mudar a questão de mão de obra, porque o Sinapi trabalha com mão de obra cheia, então tenho que tomar com muito cuidado”
“Geralmente quando trabalhamos no setor público o que eu modifico é a questão de material, porque eu entrego a cotação desse materiais para o governo, então eles sabem a minha fonte. Se eu mudei, por exemplo, um material A que estava no Sinapi a R$ 40 e eu não encontrei isso, mas o preço é R$ 60, eu demonstro isso através das planilhas de cotação. Já no privado essa planilha de cotação não é tão exigida. Então eu tenho muito mais liberdade de ação no privado do que no público.”, conclui Ribeiro.

Também temos o ponto de vista de executante. Naquela sua obra, quem vai executar? Que empreiteiro, que construtora vai executar? Maria Izabel cita um caso de um cliente em Ilha Bela/SP “No caso da Ilha Bela nós temos vários empreiteiros. Alguns são excelentes, que são justamente os que apresentam o preço mais caro. Na Ilha Bela o material vem pelo mar, então é muito difícil de você orçar. O executante fornece a mão de obra, por isso quando eu monto o meu orçamento, eu monto o orçamento de material e equipamento, mas a mão de obra vem separada. Então eu tenho o preço, eu tenho toda organização orçamentária, mas tem um item que eu ponho ‘mão de obra’, que é o preço do empreiteiro. E aí a gente escolhe os melhores, principalmente quando o acabamento é muito nobre. Aquele empreiteiro ou construtor que já tem experiencia em obras de alto padrão que apresentam materiais nobres, Por exemplo, aquela piscina com borda infinita, que o empreiteiro de qualidade sabe como fazer… Sendo assim, eu preciso saber quando eu sou contratada quem vai executar aquela obra, até pra eu ver o preço dele.” finaliza Maria Izabel.
++ Conteúdo oferecido pelo curso de Orçamento de Obras e Licitações. Saiba mais »